quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Crônica


Entrou assim: pelas beiradas, como não soubesse onde era a porta mergulhou por todas as frestas que levavam ao único ponto de luz, que teimosamente se distanciava. Sem alarde olhava para trás.

Metade do seu corpo.

Ouvir, não ouvia não, ou talvez não quisesse - se seguisse os ruídos, talvez, achasse a luz. Distinguir sentido na dissonância dos ruídos.Desce as escadas.

Distinção. Agir com distinção, não ser notado – é isso que se espera.

Sozinho.

Reconhece seus medos. Conhece seus por menores, todos eles, sem exceção. Convive mesmo negando, na negação encontra como negar. Em alguns lugares, perdido - olha em volta – há muito tempo.

Suando.Soante.Sono.

Já está no décimo terceiro andar – é preciso escrever por extenso – sem espaços, suas impressões sobre o mundo:

c a b e r i a m e m u m a l i n h a.

Tira a gravata, é preciso respirar. Um mundo de confusões em seu mundo. Tira o cinto, sente a barriga cair, gravidade. Tira os sapatos e as meias, as plantas são sensíveis ao solo frio. Tira a camisa, sente o vento no peito. Tira a calça, acha engraçado ver suas próprias pernas.

Câmeras.

Nos andares subseqüentes já o esperam. Vestidos.

Saca a cueca e completamente nu é agarrado pela segurança.

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