A Flavinha esta fazendo um curso de escrita criativa, abaixo segue o primeiro texto - tema "Socorro, onde estou?". - o texto segue sem correções, como foi enviado e será lido pelos colegas de curso. A única regra imposta pela Flavinha é não escrever poemas, por isso, o www.flaviaasantos.wordpress.com padeça da falta de atualizações e o projeto de livro novo congelado.
São Paulo, Março de 2009.
Queria te dizer que a Verinha esta bem, já começou a andar escorada nos móveis. O Diego esta indo bem, mas aquela bronquite não lhe larga o peito. Te contei, acho que não ! Acho que não deu tempo da última vez: é que a Sara já tem até namorado, acredita!?. Ontem estava revirando papéis velhos e achei aquela caixa cheinha de fotos nossas, verão 1972, praia do Guarujá. O Beto está na mesma, é muito difícil 3 filhos, três crianças: Vera, Diego, Sara.
Eu? Estou indo, é tanta coisa para cuidar que, às vezes, esqueço de mim, nestes momentos lembro muito de ti, do seu desembestar pela casa dando conta de tudo, sabendo de tudo. E você sabia mesmo: quando perdíamos nossas coisas pela casa, perdíamos não, você já havia recolhido e guardado. Como é que faz isso? Como é que se da conta de tudo? Ando em estado de chão.
O Beto anda pelos cantos, coçando a cabeça, fazendo cálculos. Vamos ter que fazer mais quarto, mesmo pequeno, as meninas precisam de privacidade, ou o Diego. O Beto não divide nada comigo em certos olhares lembra muito o Papai, cheio de silêncios. Fico nessa de equilibrar tudo e ter os pés fincados no chão.
Eu pintei o cabelo de vermelho. O Beto olhou atravessado, mas já aceitou. A gente se acostuma com as coisas. Naquele verão eu tinha acabado de perder o medo da água e me refestelava no mar pulando as ondas e catando conchas. Lembra que o mar me levou pra longe do nosso guarda sol e que você desesperada me procurava ? Lembra de ter me achado sentada na areia esperando não sei o que com uma cara fechada de quem procura direção?
Termino por aqui, o Beto esta me chamando, parece que a Verinha caiu, não sei, ouço o choro dela; o Diego e a Sara estão discutindo no quarto e gritando por mim. Domingo é assim. Lembro que quando, naquele verão, você chegou perto de mim comecei a chorar pedindo para nunca me deixar só. Faz quanto anos mesmo? Já nem sei. Vou terminar de fumar este cigarro, deixá-los, ficar aqui. Tem dias que me dá uma vontade gritar: - mãe.
flávota, gostei. mas ... inicialmente nao encontrei o tema presente. mas achei depois.
ResponderExcluir