quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A menina que pulava amarelinha no pátio.


Intercalados os saltinhos entre os quadradinhos desenhados a giz, brincar menos solitário do que se pensa assim de repente, coisa de se bastar, que criança possui em principio. Coisa que acaba.
(a casa tinha um muro alto e portões cerrados, não se via o de fora, nem o de dentro. A menina estava descalça; camiseta curta aparecendo a barriga; cabelos desalinhados e bermuda. O olhar deve vir de cima, num movimento de mergulho e parar no número onde foi jogada a pedrinha. A menina olha para céu, o olhar deve ser lateral e em direção aos olhos da menina e explodir num clarão. A imagem começa vermelha).
E era fácil achar coisa do que fazer – cavoucar os canteiros, enterrar insetos mortos e os matados também.
(a menina, de cócoras, examina com destreza as partes da minhoca que cortou vagarosamente, com prazer infantil, está num canto do quintal. Olha a mãe e se perde em seus cabelos que teimam em cair nos olhos).
Expedições pelo quintal traziam todo o conhecimento do mundo, dos mínimos detalhes das coisas suas, era fechar os olhos e reconstruir tudo mudando as cores e tirando sentido dos objetos. De olhos fechados tateando o em volta e tudo era novo de sabor.
(a menina está sentada na escada e vê as pipas no céu, uma das pipas foi cortada “mandada”. Ela observa a pipa até não haver mais como).
Os sabores sempre os mesmos é que lhe davam prazer, encher a boca de açúcar, escondido – os olhos fechados – o açúcar derretendo na língua. Coisa que acaba.
(a menina vai até mãe com o joelho sangrando).

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